Salve Geeks, como vocês estão? Hoje vamos falar sobre o caso do Sr. Popo censurado em um lançamento de Dragon Ball Super no serviço de streaming australiano ABC iview e por que essa edição reacendeu debates antigos sobre representação e sensibilidade cultural.
O que aconteceu
Em uma versão disponibilizada pelo ABC iview, episódio de Dragon Ball Super (série original de 2015), uma cena em que Goku procura conselhos na Torre do Observatório teve o Sr. Popo removido — literalmente recortado do enquadramento. O recorte viralizou nas redes sociais, gerando discussões sobre a decisão do serviço gratuito, que costuma ser mais cauteloso com conteúdos exibidos 24 horas por dia.
Por que o personagem foi editado
A razão mais citada para a censura é a associação visual do Sr. Popo com o estereótipo do blackface: labios destacados e pele muito escura que lembram caricaturas racistas. Mesmo que o criador original e a intenção do personagem não tenham buscado essa referência, a recepção moderna — especialmente fora do Japão — tem sido sensível a sinais que evocam esse passado ofensivo.
Contexto histórico e precedentes
- Não é a primeira vez que mídias de Dragon Ball passam por ajustes: em 2010 houve adaptações visuais em exibições de Dragon Ball Z Kai nos EUA, e em 2025 a enquete internacional do site oficial removeu o contorno vermelho dos lábios do personagem.
- A série Dragon Ball Daima (estreada no fim de 2024) manteve o Sr. Popo, mas apresentou uma nova leitura do personagem ao revelar traços que o aproximaram de outros seres fantásticos da franquia (Majin), o que impactou a percepção pública.
O debate: apagamento vs. contextualização
Existem duas posições principais na discussão. Uma defende a edição ou remoção como medida necessária para evitar ofensa a espectadores, sobretudo em plataformas públicas gratuitas. A outra argumenta que apagar personagens problemáticos impede o ensino do contexto histórico e artístico da obra, que poderia ser acompanhado por notas explicativas ou avisos.
Prós e contras das edições
- Prós: evita exposição a imagens consideradas ofensivas, reduz risco de repercussões públicas para plataformas e pode tornar o conteúdo mais palatável para um público global.
- Contras: perde-se parte do material original e a oportunidade de contextualização; ajustes visuais podem parecer censura ou reescrita do passado cultural da obra.
Como outras produções têm lidado com isso
Remakes e reedits recentes têm optado por retocar aparências que evocam estereótipos — por exemplo, redesenhos ou mudanças menores em tons de pele, traços faciais ou contornos de lábios. Há também produções que preferem inserir avisos antes dos episódios, explicando o contexto histórico e por que certos elementos são problemáticos hoje.
Onde assistir e o que mudou
Dragon Ball Super (2015) e outros títulos da franquia continuam disponíveis em plataformas como Crunchyroll. Mangás digitais podem ser lidos via Viz Media e Manga Plus. A disponibilidade e as versões variam conforme a região e o serviço; edições locais podem conter cortes ou ajustes visuais.
Perguntas frequentes
- O Sr. Popo foi removido permanentemente da franquia? Não — o personagem segue presente em materiais oficiais, mas sua aparência tem sido revisada em contextos públicos e promocionais.
- Por que o ABC iview cortou a cena? O serviço, por ser gratuito e amplamente acessível, tende a aplicar padrões conservadores para evitar imagens que possam ser interpretadas como ofensivas.
- Isso mudará a obra original? Edições em streaming não alteram a história original nos arquivos históricos, mas mudam a experiência do público que consome essas versões.
Dragon Ball foi criado por Akira Toriyama; a primeira série de TV estreou em 1986 e o universo continuou a evoluir com filmes e novas séries — do primeiro filme Dragon Ball: Curse of the Blood Rubies até Dragon Ball Super: Super Hero e a recente Dragon Ball Daima (2024).
Se você quer consumir a franquia com total transparência histórica, vale procurar versões e lançamentos que preservem o material original e, quando disponível, ler notas de edição ou comentários dos distribuidores.
Fechando: é um tema que mistura história da cultura pop, sensibilidades atuais e decisões editoriais. Para a comunidade geek, é um lembrete de como obras que amamos também refletem o tempo em que foram criadas — e por isso merecem debate informado, não só reação.
