Salve Geeks? Como vocês estão? Se você respira k‑drama, vive de k‑pop e adora uma mistura improvável de romance, tribunal e true crime, já pode colocar Meu Ídolo (IDOL I) na lista de “preciso maratonar agora”. A produção, disponível no Viki, usa um caso de assassinato como gatilho para explorar a relação nada óbvia entre uma fã e o astro que ela acompanha em segredo há uma década.
Tudo isso embalado por bastidores da indústria do entretenimento coreano, comentários sobre cultura de fandom e duas atuações que carregam o drama nas costas: Choi Soo Young (Girls’ Generation) e Kim Jae-young.

A premissa que parece fanfic… mas vira thriller jurídico
No centro da história está Maeng Se Na (Choi Soo Young), uma advogada famosa por aceitar justamente os casos que todo mundo foge. Ela ficou conhecida por defender clientes com fama de criminosos, o que rendeu uma reputação fria e quase impenetrável.
Só que, por trás dessa imagem de “tubarão do tribunal”, Se Na guarda um segredo que poderia destruir sua credibilidade profissional:
- há 10 anos, ela é fã devota de um grupo de k‑pop;
- sua vida pessoal gira silenciosamente em torno desse fandom;
- ninguém ao redor faz ideia de que a advogada linha-dura, na verdade, é uma stan de carteirinha.
O castelo desaba quando Do La Ik (Kim Jae‑young), vocalista principal e rosto mais famoso desse grupo, é acusado de assassinato. Ele vai de pôster na parede para manchete de escândalo em segundos.
É aí que a coisa fica interessante:
- Se Na aceita defendê‑lo no tribunal;
- precisa esconder a todo custo que é fã antiga do grupo;
- entra em um jogo duplo entre ética profissional, fanatismo e verdade.
Conforme a investigação se aprofunda, a relação entre os dois se transforma – e não só no sentido romântico óbvio. O drama questiona:
- até onde vai a lealdade de um fã?
- o que acontece quando o seu ídolo cai do pedestal?
- quanto de você mesmo existe na pessoa que você escolhe idolatrar?
Choi Soo Young: de idol no palco a fã na plateia
Famosa mundialmente como integrante do Girls’ Generation, Choi Soo Young já sabe como funciona o outro lado da equação: o do artista cercado por fãs. Em Meu Ídolo, ela precisa inverter completamente a perspectiva – e isso, segundo ela, foi bem mais desafiador do que parece.
Ela comenta que:
- sempre esteve no palco, nunca na plateia como fã obcecada;
- viver alguém que torce apaixonadamente por outra pessoa foi “avassalador” no começo;
- interpretar essa devoção exigiu um mergulho emocional que não fazia parte da sua natureza.
Soo Young admite que não é do tipo que se apega intensamente a um único interesse ou hobby. Ela não coleciona coisas nem entra no modo “estou vivendo só para isso”, algo extremamente comum em fandoms de k‑pop. Por isso, dar vida a uma fã que encontra felicidade justamente nessa dedicação absoluta exigiu mais do que simplesmente decorar falas:
- ela precisou estudar a linguagem dos fãs;
- observar de perto como eles olham para os idols;
- entender a forma específica de expressar amor, apoio e devoção.
O resultado é uma personagem que não cai em estereótipos baratos de fã “doida”. Em vez disso, Se Na é construída como alguém que:
- escolhe conscientemente ser fã como fonte de alegria;
- usa essa paixão como âncora emocional;
- carrega um passado doloroso que a tornou capaz de confiar profundamente em alguém – mesmo que esse alguém seja um rosto numa tela.
Fandom, vulnerabilidade e autoanálise
Um dos pontos mais interessantes que Soo Young destaca é que interpretar Se Na acabou funcionando como uma espécie de espelho pessoal. Enquanto a personagem é capaz de se entregar emocionalmente e confiar em outra pessoa de forma quase incondicional, a atriz percebeu algo sobre si mesma:
- talvez ela ainda não consiga abrir o coração com a mesma facilidade;
- o processo de filmagem virou um momento de auto‑reflexão;
- a personagem fez com que ela revisitasse o próprio modo de se relacionar com os outros.
É uma dinâmica curiosa: uma idol real interpretando uma fã fictícia que, por sua vez, ajuda a própria idol-atriz a entender melhor as próprias limitações emocionais. Meta o suficiente para um k‑drama? Com certeza.

Além disso, Soo Young usou seu conhecimento de bastidores para deixar o drama mais crível:
- ela entende bem as tendências de fandom;
- conhece os desafios diários de ser idol;
- pôde sugerir detalhes, nuances e ideias ligadas à indústria, inclusive em conversas com Kim Jae‑young.
Ela mesma admite que, em alguns momentos, o roteiro pode se afastar um pouco do realismo puro do k‑pop – mas isso é uma escolha consciente em prol da narrativa. São exageros calculados, pensados para intensificar o drama sem perder totalmente a ligação com o mundo real que os fãs conhecem.
A química em cena: cumplicidade e olhares que falam tudo
Soo Young também fez questão de elogiar Kim Jae‑young pela parceria em set. Segundo ela:
- ele é o tipo de colega que deixa todo mundo à vontade;
- as conversas sobre as cenas fluíam sem trava, com troca constante de ideias;
- muitas das emoções mais complexas da história foram resolvidas “no olhar”.
Ela conta que, em várias cenas, sentimentos que ela mesma ainda não tinha elaborado completamente como atriz passaram a fazer sentido quando contracenava com o olhar dele. Isso é particularmente importante em um drama em que:
- há tensão entre fã e ídolo;
- existe uma linha tênue entre admiração, culpa, medo e desejo;
- nem tudo pode ser dito em voz alta em um tribunal ou em frente às câmeras da mídia.
Para o público, essa cumplicidade se traduz em química palpável – não só romântica, mas dramática. É a sensação de que os dois personagens carregam um histórico emocional pesado, mesmo antes de a série explicar tudo.
Kim Jae‑young e o peso de ser um ídolo em queda
Do outro lado, Kim Jae‑young encara Do La Ik, um idol que vive entre dois extremos bem definidos:
- O brilho: estrela de k‑pop, famoso, amado, visual impecável, presença de palco, a imagem cuidadosamente construída pela indústria.
- A queda: suspeito de assassinato, perseguido pela imprensa, julgado pelo público antes mesmo de entrar num tribunal.
O ator revela que sua preparação foi focada justamente nessa dualidade. Ele se dedicou a:
- entender e construir o estilo visual do idol;
- treinar canto e instrumentos para dar verossimilhança às cenas musicais;
- trabalhar minuciosamente o arco emocional do personagem.
E esse arco não é leve: La Ik vai escurecendo ao longo da série, descendo etapa por etapa até o ponto mais baixo da própria vida. Uma marca curiosa do personagem é que ele chora em todos os episódios, mas nunca pelo mesmo motivo ou com a mesma intensidade. O desafio de Kim Jae‑young foi dar significados diferentes para cada choro:
- culpa, raiva, frustração;
- sensação de injustiça, medo real de perder tudo;
- alívio, conexão, vulnerabilidade genuína diante de Se Na.
Ele conta que, em vez de se sentir esgotado pelo peso emocional, acabou se motivando ainda mais: o ambiente positivo no set fazia com que ele ficasse ansioso até para filmar em dias de folga.
A força da ideia: quando a fã vira advogada de defesa
Um dos ganchos mais potentes de Meu Ídolo está no conceito que o próprio Kim Jae‑young destaca:
uma estrela suspeita de assassinato tendo como maior aliada uma fã fervorosa que precisa defendê‑lo no tribunal.
É o tipo de pitch que parece fanfic de fórum, mas que, nas mãos certas, vira um comentário bem ácido sobre:
- a idolatria em tempos de redes sociais;
- a rapidez com que o público cancela ou absolve alguém;
- o conflito entre justiça e projeções pessoais que fazemos sobre nossos ídolos.
Além disso, a série mistura gêneros:
- k‑drama romântico;
- drama jurídico;
- suspense policial;
- bastidores de k‑pop.
Essa combinação dá a Meu Ídolo uma cara própria num mar de produções coreanas que, muitas vezes, ou vão full romance, ou full suspense, ou full comédia. Aqui, o jogo é justamente equilibrar o absurdo dramático com a proximidade emocional de quem já chorou por comeback, por término de grupo ou por escândalo envolvendo bias.
Bastidores do k‑pop vistos de dentro (mas com licença poética)
Tanto Soo Young quanto Kim Jae‑young reforçam que o drama bebe diretamente da realidade da indústria coreana, mas sem assumir compromisso total com o realismo documental. Em outras palavras:
- há elementos que quem acompanha k‑pop vai reconhecer imediatamente;
- existem situações que funcionam mais como metáforas ou exageros dramáticos;
- o objetivo não é contar “como é de verdade”, e sim como se sente estar no olho do furacão midiático.
Soo Young, por ter vivido anos como idol, contribuiu com:
- sugestões sobre o comportamento de fãs em shows, eventos e redes sociais;
- noções de como funcionam certas dinâmicas de empresa, staff e gerenciamento de imagem;
- detalhes de linguagem corporal, gestos e reações típicas de idols sob pressão.
Esse olhar de dentro ajuda a evitar caricaturas óbvias e reforça a sensação de que, por mais exagerada que seja a situação (idol no banco dos réus, fã na tribuna de defesa), as emoções envolvidas são muito reais para qualquer pessoa que acompanha o universo.
Mensagens para os fãs brasileiros (e a eterna promessa de “um dia vou ao Brasil”)
Como manda o manual não escrito do entretenimento coreano, tanto Choi Soo Young quanto Kim Jae‑young aproveitaram a entrevista para mandar recados carinhosos ao público brasileiro.
Choi Soo Young:
- agradece pelo amor e interesse no drama;
- diz que adoraria visitar o Brasil se tiver oportunidade;
- pede que continuem apoiando IDOL I, ela e o Jae‑young.
Kim Jae‑young:
- agradece o carinho;
- diz que espera que Meu Ídolo abra portas para uma vinda ao Brasil;
- deseja um feliz ano novo e reforça a gratidão constante.
Sim, ainda estamos no modo “Brasil: o grande sonho distante do k‑pop e dos k‑dramas”, mas o recado está dado.
Por que Meu Ídolo merece um lugar na sua watchlist
Se você ainda está em dúvida se entra ou não nesse tribunal emocional, vale resumir o combo que a série entrega:
- Fã x Ídolo: uma relação levada ao limite, com ética profissional, culpa e desejo misturados.
- Drama jurídico: casos, investigações e dilemas morais que passam longe de serem preto no branco.
- K‑pop e bastidores: shows, imagem pública, fandom e a pressão de ser perfeito o tempo todo.
- Arco emocional intenso: personagens que choram, caem, levantam, se contradizem e evoluem.
- Química em cena: Choi Soo Young e Kim Jae‑young constroem uma dinâmica que vai além do romance óbvio.
No fim, Meu Ídolo não é só mais um k‑drama romântico. É uma história sobre:
- o peso de colocar alguém num pedestal;
- o custo emocional de amar à distância uma pessoa que você não conhece de verdade;
- e o que acontece quando a realidade invade o mundo idealizado do fandom.
Para quem vive de teorizar no Twitter (ou X), surtar em grupo no WhatsApp e defender bias em thread quilométrica, esse é o tipo de série que vai render muita conversa – e provavelmente alguns debates acalorados sobre até onde você iria pelo seu próprio ídolo.
